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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A real dificuldade




A real dificuldade está sempre em nós mesmos, não à nossa volta.
Há três coisas necessárias para fazer o homem invencível: Vontade, Desinteresse e Fé.

Podemos ter uma vontade para nos emancipar, mas Fé suficiente pode estar faltando. Podemos ter uma fé em nossa liberação final, mas a vontade de usar os meios necessários pode estar faltando. E mesmo que haja vontade e fé, podemos as usar com um apego violento aos frutos de nosso trabalho ou com paixões de ódio, excitamento cego ou apressada violência, que podem produzir reações prejudiciais. 
Por esta razão é necessário, nesse trabalho de tal magnitude, procurar refúgio num Poder mais elevado que o da mente e do corpo, a fim de vencer obstáculos sem precedentes. Esta é a necessidade de fazer Sadhana.

Deus está dentro de nós, um Poder Onipotente, Onipresente, Onisciente; nós e Ele somos de uma mesma natureza e, se entrarmos em contato com Ele e colocarmo-nos em Suas mãos, Ele derramará em nós Sua própria Força e descobriremos que nos, também, temos o nosso quinhão de divindade, nossa porção de onipotência, onipresença e onisciência. O caminho é longo, mas a entrega torna-o curto; a senda é difícil, mas perfeita confiança torna-a fácil!

A Vontade é onipotente, mas deve ser vontade divina, desprendida, tranquila, sem cuidados sobre os resultados. "Se você tivesse fé, mesmo do tamanho de um grão de mostarda" disse Jesus, "você diria àquela montanha: Venha e ela viria até você." O que significava a palavra Fé era realmente Vontade, acompanhada de perfeita Sraddha. Sraddha não raciocina, ela sabe: pois ela comanda a visão e vê o que Deus quer, e ela sabe que, o que for da Vontade de Deus, acontecerá. Sraddha sem ser cega, mas usando a visão espiritual, pode tornar-se onisciente.

A Vontade é também onipotente. Pode lançar-se dentro de tudo com o qual entra em contato e conferir-lhe uma porção de seu poder, seus pensamentos, seus entusiasmos, temporária ou permanentemente. O pensamento de um homem solitário pode tornar-se, pelo exercício da vontade desinteressada e confiante, o pensamento de uma nação. A vontade de um único herói pode impregnar de coragem os corações de milhares de covardes.

Este é o Sadhana que devemos empreender. Esta é a condição de nossa libertação. Temos usado uma vontade imperfeita com uma fé imperfeita e um imperfeito desprendimento...

No entanto, a tarefa diante de nos é menos difícil do que mover uma montanha.
A força que pode fazer isto existe. Mas está escondida numa câmara secreta dentro de nós e, desta câmara, Deus guarda a chave.

Vamos achá-Lo e reclamá-la!

(Texto de Sri Aurobindo - Livro Sabedoria de Sri Aurobindo)



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sabedoria de Sri Aurobindo



...Levanta teus olhos em direção ao Sol!

Ele Está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.

Observa à noite as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do
Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio mas pulsa com a presença de uma única
existência calma e tremenda.


Olha lá Orion com sua espada e cinto brilhando como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil 
anos atrás, no começo da era Ariana, Sirius no seu esplendor, Lyra percorrendo bilhões de milhas
no oceano do espaço.

Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece, e contudo são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.

Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te
que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.

Observa que além de Lyra Ele está, e no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul
não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E então volta à terra e considera quem é este Ele.
Ele está bem perto de ti.


Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão?
Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol.
Podes tu ouvi-lo nesse riso?

Não, Ele está ainda mais próximo de ti.
Ele está em ti, Ele é tu mesmo.

És tu quem ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etérico.

És tu quem colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.

Olha para cima, oh filho do Yoga antigo e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.

(Unanishads)
Texto extraído do livro  A Sabedoria  de Sri  Aurobindo 


sábado, 13 de outubro de 2012

Por que a Oração?


A vida do homem é uma vida de carências e necessidades, e portanto de desejos, não apenas em
seu físico e vital, mas em seu ser mental e espiritual.

Quando ele se torna consciente de um grande Poder que governa o mundo, Este aproxima-se dele através da oração, para a satisfação de suas necessidades, para auxílio em sua áspera jornada, para proteção e ajuda em sua luta. Sejam quais forem as imperfeições que possam existir na aproximação comum religiosa de Deus pela prece - e há muitas, especialmente essa atitude que imagina que o Divino seja capaz de ser propiciado, subornado, lisonjeado para a aquiescência ou indulgência pelo louvor, súplica e dádivas e pouco considera o Espírito com o qual se aproxima dele - contudo este modo de voltar-se para o Divino é um movimento essencial de nosso ser religioso e repousa  numa verdade universal.


Duvida-se freqüentemente da eficácia da oração e a própria oração supõe-se uma coisa irracional,
necessariamente supérflua e ineficaz. 

É verdade que a vontade universal executará sempre Seus Objetivos e não pode ser desviada por propiciação e súplicas egoísticas; é verdade do Transcendente que se expressa a si mesmo na ordem universal que, sendo Onisciente, seu conhecimento mais amplo deve prever a coisa a ser feita e não necessita de direção ou estímulo do pensamento humano; e que os desejos individuais não são e nem podem ser em nenhuma ordem do mundo, o verdadeiro fator determinante. 

Porém, nem é essa ordem ou a execução da vontade universal em conjunto efetuada pela Lei mecânica, mas por poderes e forças dos quais, pelo menos para a vida humana, não estão entre os menos importantes, a vontade humana, a aspiração e a fé.

A prece é apenas uma forma determinada dada a essa vontade, a essa aspiração e fé. Suas formas são muitas vezes cruas e não somente infantis, o que não é um defeito em si mesmo, mas criancice; contudo ela tem um poder e significado reais. Seu poder e sentido são colocar a vontade, a aspiração e a fé do homem em contato com a Vontade Divina, como a de um Ser consciente com quem podemos entrar em relações conscientes e vivas.

A oração ajuda a preparar esta relação para nos, primeiro no plano interior, mesmo quando ainda
exista lá compatibilidade com o que é mero egoísmo e ilusão de si; mas depois podemos avançar em direção à vontade espiritual que está por trás. Não é portanto a concessão da coisa pedida que importa, mas a relação em si, o contato da vida do homem com Deus, a permuta consciente. 
Em assuntos espirituais e na procura de aquisições espirituais, esta relação consciente é um grande poder; é um poder muito maior que nossa própria luta e esforço inteiramente autoconfiantes e proporciona um crescimento e experiência espirituais mais plenos.

Inevitavelmente, no fim, a oração ou extingue-se na coisa maior para a qual nos preparou, - de fato, a forma a que chamamos de oração não é em si mesma essencial, contanto que a fé, a vontade e a aspiração estejam lá, - ou permanece apenas para a alegria do relacionamento. 
Também seus objetivos, o artha ou interesse que procura realizar, torna-se cada vez mais
alto até que alcançamos a devoção, sem motivo, mais elevada, que é essa do amor divino puro e simples, sem qualquer exigência ou anseio.

Sabedoria de Sri Aurobindo
Seleção de Seus Escritos